Vender na Shopee e no Mercado Livre parece, à primeira vista, uma das maneiras mais simples de começar um negócio pela internet.
Você cadastra um produto, coloca algumas fotos, define o preço e espera as vendas acontecerem.
Mas a realidade é bem diferente.
Muitos vendedores conseguem fazer vendas todos os dias, faturam milhares de reais e, mesmo assim, descobrem no final do mês que praticamente não tiveram lucro.
Esse é um dos principais motivos pelos quais muitos iniciantes desistem de vender em marketplaces.
O problema não é necessariamente a Shopee ou o Mercado Livre. O problema costuma estar na forma como o negócio foi planejado.
Neste artigo, você vai entender por que a maioria dos vendedores fracassa na Shopee e Mercado Livre, quais são os principais erros e o que fazer para construir uma operação mais sustentável.
Afinal, por que tantos vendedores fracassam na Shopee e Mercado Livre?
Existem vários motivos, mas alguns aparecem com frequência:
- falta de conhecimento sobre precificação;
- escolha de produtos com margem muito baixa;
- dependência excessiva de anúncios pagos;
- falta de planejamento financeiro;
- confusão entre faturamento e lucro;
- excesso de trabalho para pouco retorno;
- dependência de apenas um marketplace;
- desistência antes de adquirir experiência;
- falta de estratégia para aumentar a margem;
- expectativa de ganhar dinheiro rápido.
O grande problema é que muitos iniciantes olham apenas para o número de vendas.
Por exemplo: imagine alguém que fatura R$ 10 mil em determinado mês.
À primeira vista, parece um excelente resultado.
Mas e se, depois de descontar o custo dos produtos, taxas do marketplace, impostos, embalagem, frete, publicidade e outros gastos, sobrarem apenas R$ 1.000?
Nesse caso, o faturamento impressiona, mas o negócio pode não ser tão interessante quanto parece.
Faturamento não é lucro.
Essa é uma das primeiras lições que todo vendedor precisa aprender.
1. Confundir faturamento com lucro
Esse talvez seja um dos erros mais perigosos para quem está começando.
Uma loja pode vender R$ 5 mil, R$ 10 mil ou até R$ 20 mil por mês e ainda assim apresentar um lucro muito pequeno.
Imagine um produto vendido por R$ 25.
Se o custo de aquisição for R$ 10, você ainda precisa considerar outros gastos antes de comemorar a venda:
- comissão e tarifas do marketplace;
- impostos;
- embalagem;
- frete ou custos relacionados à logística;
- publicidade;
- eventuais devoluções;
- perdas e outros custos operacionais.
No final, aqueles R$ 15 que pareciam ser lucro podem se transformar em uma quantia muito menor.
Por isso, antes de perguntar “quanto eu consigo vender?”, o vendedor deveria perguntar:
“Quanto realmente sobra de cada venda?”
Essa mudança de perspectiva pode evitar muitos prejuízos.
2. Vender produtos baratos demais

Produtos baratos podem gerar muitas vendas, mas isso não significa necessariamente que sejam bons negócios.
Imagine um kit cujo custo total, incluindo produto, embalagem e uma parcela do frete, fique próximo de R$ 10.
Se ele for vendido por aproximadamente R$ 20 ou R$ 25, pode parecer que existe uma margem interessante.
Porém, depois de considerar todas as taxas e custos envolvidos na operação, o lucro real pode ficar muito pequeno.
E existe outro problema: quanto menor o lucro por pedido, mais vendas você precisa realizar para atingir um determinado resultado mensal.
Você pode acabar passando horas:
- separando pedidos;
- imprimindo etiquetas;
- embalando produtos;
- respondendo clientes;
- levando encomendas ao ponto de coleta;
- controlando estoque.
No final do mês, o trabalho pode ser enorme para um lucro que não compensa.
Por isso, produtos baratos não são necessariamente ruins.
Eles podem funcionar, principalmente quando existe uma estratégia de tráfego orgânico e uma operação muito bem ajustada.
O erro está em acreditar que qualquer produto barato será lucrativo simplesmente porque tem procura.
3. Usar Shopee Ads ou Mercado Livre Ads sem fazer as contas
Outro erro comum é pensar:
“Se eu anunciar meu produto, vou vender.”
Não necessariamente.
A publicidade pode aumentar a exposição de um anúncio, mas ela também aumenta o custo para conquistar vendas.
Imagine um produto que proporciona R$ 6 de lucro antes da publicidade.
Se você gastar R$ 3 em anúncios para conseguir uma venda, seu lucro cai pela metade.
Se gastar R$ 5, praticamente destrói sua margem.
É por isso que produtos com margem muito pequena podem não suportar campanhas de publicidade.
Antes de investir em Shopee Ads ou Mercado Livre Ads, faça a conta completa.
Você precisa saber:
Preço de venda – custo do produto – taxas – impostos – embalagem – demais custos – publicidade = lucro líquido aproximado.
Sem essa conta, o anúncio pode fazer você vender mais e ganhar menos.
4. Acreditar que marketplace é renda extra fácil
Outro erro é entrar no comércio eletrônico pensando apenas em “fazer uma renda extra”.
Um negócio próprio exige comprometimento.
Você precisa lidar com estoque, fornecedores, clientes, devoluções, reclamações, anúncios, precificação, impostos, logística e muitos outros detalhes.
Isso não significa que seja impossível começar enquanto você ainda trabalha.
Na verdade, desenvolver a operação paralelamente ao emprego pode ser uma estratégia mais segura para muitas pessoas.
O problema é abandonar uma fonte de renda estável apenas porque a loja começou a fazer algumas vendas.
Uma ferramenta que pode facilitar sua rotina de vendedor
Se você pretende levar suas vendas na Shopee e no Mercado Livre a sério, também precisa pensar na organização da operação.
Depois que os pedidos começam a chegar, uma das tarefas que mais toma tempo é preparar as encomendas e imprimir as etiquetas de envio.
Por isso, uma impressora de etiquetas adesivas pode ser um investimento interessante para quem está começando a aumentar o volume de pedidos.
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Ela foi pensada justamente para facilitar a impressão de etiquetas adesivas, ajudando a deixar o processo de preparação dos pedidos mais organizado.
Para quem vende em marketplaces, ter uma impressora dedicada para etiquetas pode ser muito mais prático do que depender de uma impressora convencional e depois precisar recortar e preparar cada etiqueta manualmente.
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Fazer vendas não significa que o negócio já está pronto para sustentar você.
Antes de tomar uma decisão desse tamanho, é necessário analisar o lucro líquido, a estabilidade das vendas, o capital de giro e a capacidade de crescimento.
5. Achar que Shopee e Mercado Livre são seus parceiros
É importante entender a relação corretamente.
Shopee e Mercado Livre são plataformas que oferecem infraestrutura e acesso a um enorme público.
Mas você não deve construir sua estratégia acreditando que uma dessas plataformas existe para garantir o sucesso da sua empresa.
O marketplace possui seus próprios interesses e regras.
Por isso, pense nele como um canal de vendas.
É semelhante a abrir uma loja dentro de um shopping: você utiliza o espaço, o fluxo de pessoas e a estrutura oferecida, mas o negócio continua sendo seu.
Essa mentalidade é importante porque evita uma dependência excessiva de uma única plataforma.
6. Depender de apenas um marketplace
Se todos os seus pedidos vêm da Shopee, existe um risco evidente.
Se todos vêm do Mercado Livre, existe o mesmo problema.
Uma operação mais madura tende a diversificar os canais.
Um produto que você vende na Shopee pode, dependendo das condições e regras aplicáveis, também ser anunciado no Mercado Livre.
Além disso, conforme o negócio cresce, pode fazer sentido construir outros canais de aquisição, como:
- Loja virtual própria;
- redes sociais;
- Conteúdo;
- Tráfego pago;
- Lista de clientes;
- WhatsApp;
- outros marketplaces.
A ideia é simples:
Não coloque todo o seu negócio nas mãos de uma única plataforma.
7. Não aprender a precificar
Você pode encontrar um excelente fornecedor e ainda assim perder dinheiro.
Por quê?
Porque fornecedor barato não garante lucro.
Imagine que você compre um produto por R$ 10 e venda por R$ 25.
A diferença de R$ 15 não representa automaticamente seu lucro.
É preciso considerar todos os custos.
Uma forma simples de começar a analisar cada produto é montar uma planilha contendo:
| Item | Valor |
|---|---|
| Preço de venda | R$ 25,00 |
| Custo do produto | R$ 10,00 |
| Embalagem | R$ 0,80 |
| Frete/custos adicionais | R$ 1,00 |
| Taxas | R$ X |
| Impostos | R$ X |
| Publicidade | R$ X |
| Lucro estimado | R$ X |
O valor final é o que realmente interessa.
8. Não considerar os impostos
Outro erro é fazer toda a conta considerando somente o preço do fornecedor.
Dependendo do regime tributário, localização, operação e estrutura da empresa, existem impostos e obrigações que precisam entrar na precificação.
Além disso, compras de fornecedores localizados em outros estados podem envolver questões tributárias específicas.
Por isso, conforme a operação cresce, torna-se cada vez mais importante contar com orientação contábil adequada.
Não tente administrar uma empresa em crescimento apenas olhando para o preço de compra e o preço de venda.
9. Acreditar que vender muito significa ter um negócio saudável
Imagine duas lojas.
A primeira faz 500 vendas por mês e obtém R$ 2 de lucro líquido por pedido.
A segunda faz 150 vendas e consegue R$ 15 de lucro líquido por pedido.
A primeira vende muito mais.
Mas qual operação parece mais interessante?
A segunda gera:
150 × R$ 15 = R$ 2.250 de lucro.
A primeira gera:
500 × R$ 2 = R$ 1.000 de lucro.
Esse exemplo mostra por que volume sem margem pode virar uma armadilha.
Não adianta aumentar o faturamento se cada venda deixa pouco dinheiro no caixa.
10. Não trabalhar com kits
Uma estratégia interessante para determinados produtos é criar kits.
Em vez de vender apenas um item, você pode combinar produtos complementares em uma oferta.
Por exemplo:
Produto A + Produto B + Produto C = Kit especial
Isso pode permitir uma oferta diferenciada e aumentar o valor médio do pedido.
Além disso, dependendo da estrutura da plataforma e das condições aplicáveis, criar um kit pode ser uma maneira de apresentar uma oferta diferente da concorrência.
Mas é importante fazer a conta antes.
O kit precisa gerar margem suficiente depois de todos os custos.
11. Desistir cedo demais
Existe também o extremo oposto.
Algumas pessoas começam a vender na Shopee ou no Mercado Livre, passam algumas semanas sem conseguir o resultado esperado e concluem:
“Marketplace não funciona.”
Mas talvez o problema não seja o marketplace.
Talvez seja o produto.
Ou o preço.
Ou as fotos.
Ou o título.
Ou a descrição.
Ou a reputação da loja.
Ou a quantidade de anúncios.
Ou a falta de tráfego.
Ou simplesmente a falta de experiência.
Vendas pela internet também exigem aprendizado.
Você precisa testar, analisar os resultados e melhorar.
Fracassar com um produto não significa fracassar com o comércio eletrônico.
12. Querer ganhar dinheiro rápido
Esse é um dos maiores problemas.
A internet está cheia de promessas de pessoas que apresentam o comércio eletrônico como algo extremamente simples.
A ideia é sempre parecida:
“Escolha um produto vencedor, anuncie e comece a ganhar milhares de reais.”
Na prática, um negócio sustentável é construído com:
- conhecimento;
- testes;
- fornecedores;
- capital;
- atendimento;
- processos;
- controle financeiro;
- bons produtos;
- boa precificação;
- experiência.
Pode acontecer de uma pessoa encontrar um produto que venda rapidamente.
Mas transformar isso em uma empresa consistente é outra história.
E quando o produto começa a vender?
Quando você encontra um produto que vende, o próximo passo não deve ser simplesmente gastar todo o dinheiro que entra.
É preciso analisar os números.
Pergunte:
- Quanto custa adquirir cada unidade?
- Qual é o lucro líquido por venda?
- Quanto custa a embalagem?
- Quanto estou gastando com publicidade?
- Quanto pago de impostos?
- Quantas vendas consigo fazer por mês?
- Quanto sobra depois de todos os custos?
- Tenho capital suficiente para repor o estoque?
- Posso melhorar minha margem comprando em maior quantidade?
- Existe possibilidade de importar esse produto futuramente?
Essas perguntas ajudam a transformar uma simples loja em uma operação de verdade.
Importar pode aumentar a margem, mas não é solução mágica
Quando o negócio ganha escala, alguns vendedores começam a estudar a possibilidade de importar diretamente da China.
Isso pode reduzir o custo de aquisição em determinadas situações.
Porém, não significa que importar seja simplesmente comprar barato e vender caro.
É necessário considerar:
- Preço do produto;
- quantidade mínima;
- frete;
- impostos;
- câmbio;
- desembaraço;
- prazo;
- armazenamento;
- risco de estoque parado.
Por isso, a importação deve entrar no negócio quando fizer sentido financeiro e operacional.
O caminho mais inteligente para começar
Para quem está começando, uma estratégia mais prudente é validar produtos antes de investir grandes quantias.
Você pode começar com uma quantidade menor, acompanhar a procura e analisar os resultados.
Se o produto não vender, você reduz o prejuízo.
Se funcionar, pode aumentar gradualmente o estoque.
O processo pode ser resumido assim:
1. Encontrar uma oportunidade
↓
2. Calcular todos os custos
↓
3. Testar o produto
↓
4. Analisar as vendas
↓
5. Ajustar preço e anúncio
↓
6. Aumentar o estoque se houver margem
↓
7. Criar novos anúncios
↓
8. Expandir para outros canais
↓
9. Buscar fornecedores melhores
↓
10. Escalar o negócio
Esse processo é muito mais realista do que esperar encontrar um “produto mágico”.
Afinal, vender na Shopee e no Mercado Livre vale a pena?
Sim, pode valer a pena.
Mas não da maneira que muitos iniciantes imaginam.
Você pode vender muito e ganhar pouco.
Também pode vender menos e obter uma margem significativamente melhor.
O que determina a qualidade do negócio não é apenas a quantidade de pedidos, mas o que sobra depois de pagar todos os custos.
A grande lição é:
Não persiga apenas faturamento. Persiga lucro.
Uma loja que fatura R$ 10 mil e lucra R$ 800 pode ser menos interessante do que uma loja que fatura R$ 7 mil e lucra R$ 2 mil.
Tudo depende da estrutura da operação.
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Conclusão: por que a maioria dos vendedores fracassa na Shopee e Mercado Livre?
A maioria dos vendedores não fracassa simplesmente porque Shopee ou Mercado Livre não funcionam.
Muitos fracassam porque entram no negócio com expectativas erradas.
Acreditam que basta encontrar um fornecedor barato, cadastrar um produto e esperar as vendas.
Depois descobrem que existem taxas, impostos, publicidade, embalagem, logística, devoluções, atendimento e uma série de outros custos.
O maior erro é olhar para o faturamento e ignorar o lucro.
Se você realmente quer construir um negócio vendendo em marketplaces, comece aprendendo a fazer contas.
Venda com margem. Controle seus custos. Teste produtos. Evite depender de uma única plataforma. Reinvista parte do lucro e cresça gradualmente.
E, principalmente, não confunda comércio eletrônico com dinheiro fácil.
A Shopee e o Mercado Livre podem ser excelentes canais para começar e crescer, mas são apenas ferramentas.
Quem constrói um negócio sustentável é o vendedor que aprende a usar essas ferramentas de maneira estra

